Chávez comemora vitória eleitoral sob crítica dos rivais
Por Saul Hudson
CARACAS (Reuters) - Hugo Chávez e seus partidários comemoraram a vitória eleitoral que o autoriza a se candidatar mais uma vez à Presidência da Venezuela, enquanto os opositores reclamavam na segunda-feira que o uso de dinheiro público tornou a campanha injusta.
No poder há 10 anos e com a promessa de governar o país durante décadas, Chávez prometeu recompensar os pobres que o apoiaram na vitória de domingo combatendo a principal preocupação deles: a criminalidade. O país, que integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), tem um dos piores índices de homicídio do mundo.
A oposição dividida, que foi liderada por um inexperiente movimento estudantil, disse que a vitória do ex-pára-quedista foi garantida pelo financiamento governamental e pela cobertura tendenciosa da televisão estatal.
"Outra fraude", foi o título do editorial do principal jornal de oposição, El Nacional, que reclamou que a comissão eleitoral da Venezuela favoreceu "um regime militar que promove o ódio e divide a Venezuela em dois".
Popular por investir grandes quantias em clínicas, escolas e distribuição de alimentos nos cortiços das cidades e em vilarejos remotos, Chávez obteve 54 por cento dos votos, o que o autoriza a permanecer no cargo enquanto vencer as eleições.
Teodoro Petkoff, veterano rival de Chávez, denunciou o uso "ilegal e inescrupuloso" dos fundos estatais, mas também entrou no tom desafiador de uma oposição que agora precisa derrotá-lo na eleição presidencial daqui a quatro anos.
"Eles podem comemorar hoje, mas no horizonte de 2012 forma-se um fantasma de sua derrota inevitável", escreveu Petkoff no editorial de primeira página de seu jornal, Tal Cual.
Após uma derrota num referendo similar proposto em 2007, a vitória de Chávez mostrou a resiliência dele e solidificou sua posição como a figura de maior proeminência na política da Venezuela e como líder da esquerda latino-americana mais radical.



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