sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Idéia fixa

Chávez diz que referendo decidirá seu futuro polític

Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil

Chávez disse que oposição prepara violência caso saia derrotada

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quinta-feira que seu futuro político será definido no próximo domingo, quando os venezuelanos irão às urnas para votar em um referendo sobre o fim do limite à reeleição.
Se a emenda constitucional for aprovada, Chávez poderá se candidatar a um terceiro mandato presidencial em 2012. Caso contrário, terá de deixar o governo em 2013, quando termina seu atual mandato.
"No domingo, vocês decidirão meu destino político. A decisão de vocês é soberana (...). Eu farei o que vocês mandarem, eu obedecerei sempre a vontade soberana do povo soberano", afirmou Chávez, diante de centenas de milhares de simpatizantes que lotaram a avenida Bolívar, centro de Caracas, durante o ato de encerramento da campanha a favor da emenda constitucional.
"No domingo, camaradas (...), o povo venezuelano continuará construindo o caminho de sua própria salvação, da salvação dessa pátria. Abriremos uma nova comporta para continuarmos seguindo o caminho do socialismo", acrescentou.
Encerramento
Vestido com sua tradicional camisa vermelha, Chávez chegou à manifestação em carro aberto.
Centenas de simpatizantes corriam ao lado do automóvel onde estava o presidente, fazendo juras de fidelidade e confiantes na vitória do "sim" no próximo domingo.
"Chávez, te amo, já ganhamos", gritou uma mulher.
O presidente venezuelano, que completou uma década no poder, voltou a afirmar que "está pronto" para governar até 2019 - quando terminaria um eventual terceiro mandato presidencial.
Chávez afirmou ainda que reconhecerá "qualquer resultado" do pleito e desafiou seus opositores a fazerem o mesmo.
"Exijo aos dirigentes da oposição que digam ao país se vão ou não reconhecer os resultados do domingo", afirmou."Eu sei que estão preparando 'guarimbas' (bloqueios) e violência. Aconselho que não se atrevam, nós estamos prontos para enfrentá-los. A Venezuela terá paz, nós somos portadores da paz, eles são os portadores da violência", acrescentou.
Na última quarta-feira, Chávez afirmou que dois capitães da Guarda Nacional teriam sido presos, supostamente por conspirar contra o governo com a ajuda da oposição e de ex-oficiais militares que vivem nos Estados Unidos.
O presidente relacionou o fato à proximidade com o referendo.Em tom bem-humorado, o presidente venezuelano, que é solteiro, não escondeu a "preocupação" pela celebração do Dia dos Namorados, comemorado no dia 14 de fevereiro na Venezuela, véspera do referendo.
Tentando evitar a dispersão de seus apoiadores, ele prometeu "uma semana de folga a partir da segunda-feira", para que, no sábado, eles não deixem de lado a campanha para namorar.
"Mas isso só depois de que derrotarmos a oposição nas urnas e, se for preciso, nas ruas, caso eles se atrevam a não reconhecer o triunfo da revolução bolivariana", afirmou.
"Indispensável"
Grande parte das pessoas com quem a reportagem da BBC Brasil conversou durante o ato de encerramento da campanha de Chávez, acredita que ele é a única pessoa dentro do governo capaz de dar continuidade à revolução bolivariana."Toda revolução precisa de um líder, e ele é o nosso. Chávez poderá deixar a liderança do governo quando tivermos consolidado o projeto socialista. Aí sim teremos vários líderes para continuar o caminho, mas, por enquanto, é só ele", afirmou o operário Francisco Piñero.O camponês Ramón Blanco, de 65 anos, que viajou seis horas para participar da manifestação, disse que "recuperou a palavra" com o atual governo.
"Vivíamos em absoluta marginalidade, eu tinha que andar de cabeça baixa. Agora somos parte desse país. Meus filhos vão à universidade e têm direito de estudar como qualquer outro, isso, graças a Chávez. Por isso ele deve continuar", afirmou.Para a educadora Zaida Toro, o que está em jogo é a continuidade, ou não, dos programas sociais - uma das bases de sustentação do governo.
"A oposição não tem nada a oferecer ao povo venezuelano. Governaram 40 anos seguidos e não fizeram nada. Por que agora não podemos ter o direito de continuar elegendo quem está fazendo as coisas bem? Vamos sim, a vitória é nossa", disse."Agora, até no futebol ganhamos", acrescentou Zaida, entre risos, em uma referência à primeira classificação na história da seleção venezuelana sub-20 à Copa do Mundo, que será disputada no Egito.Espera-se que mais de 16 milhões de venezuelanos compareçam às urnas neste domingo para decidir se aprovam, ou não, a proposta de emenda constitucional.

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