segunda-feira, 20 de abril de 2009

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Charge


Vale a pena Ler de novo

O Navio Negreiro, Tragédia no Mar (VI)
Castro Alves

Existe um povo que a bandeira empresta Pr'a cobrir tanta infâmia e cobardia!...E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!...Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,Que impudente na gávea tripudia?!...Silêncio!... Musa! chora, chora tantoQue o pavilhão se lave no teu pranto...Auriverde pendão de minha terra,Que a brisa do Brasil beija e balança,Estandarte que a luz do sol encerra,E as promessas divinas da esperança...Tu, que da liberdade após a guerra,Foste hasteado dos heróis na lança,Antes te houvessem roto na batalha,Que servires a um povo de mortalha!...Fatalidade atroz que a mente esmaga!Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu na vaga,Como um íris no pélago profundo!......Mas é infâmia de mais... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo...Andrada! arranca este pendão dos ares!Colombo! fecha a porta de teus mares!

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em Muritiba (BA), no dia 14 de março de 1847. Em 1862, publica no "Jornal do Recife", onde morava em companhia do irmão mais velho, "Destruição de Jerusalém". Em 1868 viaja para o Rio de Janeiro, onde é recebido por José de Alencar e Machado de Assis. No dia 7 de setembro, em São Paulo, declama "O Navio Negreiro", alcançando grande sucesso. O maior romântico brasileiro e, com Tobias Barreto, um dos fundadores da escola condoreira, inspirada em Vítor Hugo. Nativista, revelador da paisagem brasileira, republicano e abolicionista — o cantor do Navio negreiro é o nosso grande poeta social e nacional.O poeta faleceu no dia 06 de julho de 1871, em Salvador (BA). É o patrono da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras.

Biografia - Sérgio Vieira de Mello - Gente que mudou a História

Sérgio Vieira de Mello
(Embaixador brasileiro)
15/03/1948, Rio de Janeiro
19/08/2003, Bagdá




Embaixador brasileiro e Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Sérgio Vieira de Mello consternou o mundo ao ser morto tragicamente em 19 de agosto de 2003, durante um ataque terrorista contra a sede das Nações Unidas em Bagdá, local a que foi enviado como representante especial do secretário-geral da entidade, Kofi Annan.

Nascido em 15 de março de 1948, no Rio de Janeiro, Sérgio Vieira de Mello ingressou cedo na carreira diplomática, seguindo a profissão de seu pai, que trabalhou na Argentina durante muitos anos. Aos 21 anos, começou a atuar na ONU, conciliando o seu trabalho com os estudos de filosofia na Universidade de Paris, onde morava.

Na entidade, o brasileiro atuou no setor da ONU para refugiados, em Genebra, e serviu em operações humanitárias e de paz por regiões submetidas a conflitos e guerras como em Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique e Peru.

Conhecido como hábil negociador, Mello se destacou na área humanitária e, em 1981, foi nomeado para o cargo de Conselheiro Político Sênior das forças da ONU, no Líbano. Depois disso, ocupou diversas funções importantes na instituição, como a de diretor de departamento regional para Ásia e Oceania, enviado especial do Alto Comissário ao Camboja e coordenador humanitário da ONU na região dos Grandes Lagos, na África.

Em 1996, Mello foi nomeado Assistente do Alto Comissário da ONU para refugiados e, dois anos depois, assumiu em Nova Iorque o cargo de subsecretário geral para casos humanitários e coordenador de Emergência.

Em Kosovo, assumiu temporariamente a função de representante geral do secretário-geral da entidade. Já no Timor Leste, serviu como administrador transitório da ONU, levando o país à independência e à realização de eleições livres.

Em 12 de setembro de 2002, foi nomeado para o cargo de Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, o mais alto posto da instituição em Direitos Humanos, onde ficaria até 2006. Em junho do mesmo ano, afastou-se da função para assumir como representante especial do secretário-geral, Kofi Annan, para o Iraque. No país, onde passaria quatro meses, Mello tinha a missão de trabalhar para restabelecer a tranqüilidade e ajudar o país a construir um governo democrático no pós-guerra.

A sua missão foi interrompida após a explosão de um carro-bomba estacionado em frente ao hotel que servia de sede provisória da ONU no país. Aos 55 anos, o diplomata e outros 21 funcionários foram mortos e cerca de 150 pessoas ficaram feridas no mais violento ataque realizado contra uma missão civil da ONU até aquela época. Atribuído pelos Estados Unidos à rede Al Qaeda, o ataque provocou a retirada dos funcionários estrangeiros do órgão do território iraquiano.

Após o velório no Brasil, o corpo do diplomata foi enterrado no cemitério de Plainpalais, em Genebra. Alguns meses após o atentado, a ONU realizou uma homenagem póstuma, entregando o Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas àquele que foi um dos mais importantes diplomatas do Brasil e da entidade. Separado, Mello teve dois filhos com sua esposa francesa: Laurent e Adrian.

Pensamentos



pensador.info

"ENTRE ASPAS"


Guantánamo


Base naval de Guantánamo existe há mais de século


Estados Unidos mantêm prisão na base naval de Guantánamo


A base naval de Guantánamo – que ocupa cerca de 116 quilômetros quadrados na costa sudeste de Cuba – foi estabelecida por membros da Marinha americana em 6 de junho de 1898, durante a Guerra Hispano-Americana. Ela foi alugada aos Estados Unidos em 2 de julho de 1903, através de um acordo assinado pelo presidente Theodore Roosevelt, por aproximadamente cinco mil dólares anuais, que ainda são pagos ao governo cubano. O terreno só pode ser revertido ao controle cubano caso seja abandonado ou por consentimento mútuo, conforme um acordo renegociado em 1934.
A Baía de Guantanamo margeia três lados da base naval e o quarto lado, que é guardado por militares americanos, fica em frente a uma parede de cactos construída nos anos sessenta para impedir cubanos de pedirem asilo. Durante meados dos anos noventa, milhares de refugiados de Cuba e do Haiti foram temporariamente abrigados na base naval.
Nas últimas décadas, a baía esteve encoberta por uma nuvem de marasmo, mas agora se tornou o epicentro de uma polêmica entre EUA, União Européia, ONU e defensores de direitos humanos. Os EUA utilizam a base de Guantánamo desde janeiro de 2002 para deter prisioneiros da operação militar que derrubou o regime Taleban no Afeganistão, e suspeitos de integrar a rede terrorista Al Qaeda. O governo americano não dá a eles direitos estabelecidos pela Convenção de Genebra, sob o argumento de que não são "prisioneiros de guerra" e, sim, "combatentes inimigos" - uma definição que não existe no mundo jurídico mas que, na prática, colocou os presos num limbo fora das leis internacionais. Guantánamo foi o destino de 158 prisioneiros da Al-Qaeda e do Taleban presos pelas tropas americanas no Afeganistão.
Atualmente, há em Guantánamo cerca de 660 prisioneiros, de 43 países - a maioria é do Afeganistão. Segundo a ONG Centro para os Direitos Constitucionais, há presos com idades de 13 a 15 anos e também com mais de 80 anos.Fontes:

Embaixada Americana - Folha Online - IstoÉ Online

Menos impostos,mais vendas...

IPI menor teve impacto imediato nas vendas, diz Magazine Luiza

COMANDATUBA, Bahia (Reuters) - A redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos da chamada linha branca, anunciada na sexta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, teve impacto imediato sobre as vendas de equipamentos como geladeiras e fogões.
De acordo com Luiza Helena Trajano, superintendente do Magazine Luiza, uma das maiores cadeias varejistas do país, os preços caíram no dia seguinte ao anúncio.
"Teve uma queda imediata sobre os preços dos produtos de 8 a 10 por cento já no sábado", contou ela a jornalistas, ao sair de um congresso de empresários, neste domingo.
Segundo ela, a medida teve efeito imediato porque valeu também para os eletrodomésticos que já estavam no estoque, o que terá reflexo positivo sobre a cadeia fabril desses produtos, que emprega cerca de 380 mil pessoas.
De acordo com a executiva, mesmo com a crise a companhia está "empatando" em receita com 2008, ano em que o faturamento do grupo somou 3,2 bilhões de reais.
Luiza contou que a rede abriu 4 lojas este ano e que outras 15 serão inauguradas até o final de 2009.
(Por Aluísio Alves)

Restaram as esperanças...

Lula demonstra otimismo sobre melhora nas relações EUA-Cuba

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou na segunda-feira estar otimista com a possibilidade dos Estados Unidos colocarem um fim ao embargo e aceitarem a reincorporação de Cuba à Cúpulas das Américas.
Lula revelou que esses temas foram tratados na Cúpula das Américas realizada no fim de semana, e afirmou que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, tem a oportunidade de alterar as relações entre o país e a América Latina. Para o presidente brasileiro, em vez de buscar a ingerência, os EUA deveriam ter uma abordagem voltada ao desenvolvimento da região.
"Eu sei que tem problemas culturais, tem problemas políticos. Não é fácil você vencer os setores conservadores em cada país, mas eu acho que o Obama tende a avançar e tende a compreender que não existe mais necessidade desse embargo a Cuba", destacou Lula em seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente".
"Eu disse ao presidente Obama que não era possível mais pensar fazer a Cúpula das Américas faltando um país. É importante que Cuba esteja presente. Cuba faz parte do nosso continente, acho que Cuba contribui para o processo de discussão na América Latina", acrescentou.
Lula elogiou a tentativa de Obama de se aproximar dos demais países durante o encontro e também a atitude dos líderes da região.
"Todo mundo esperava que houvesse uma briga, uma disputa entre Obama e Chávez (Venezuela), entre Obama e Evo Morales (Bolívia), entre Obama e Rafael Correa (Equador), entre Obama e Daniel Ortega (Nicarágua). E o que aconteceu? O que aconteceu é que as pessoas ficaram civilizadas e que as pessoas aprenderam a discordar, democraticamente, e a conviver com as diferenças", comentou Lula.
(Por Ana Paula Paiva)

Quando o dinheiro é nosso,tudo pode esperar...

Proposta para gastos de parlamentares sai em 2 semanas,diz Temer

Por Aluísio Alves

COMANDATUBA, Bahia (Reuters) - O Congresso Nacional deve ter em duas semanas uma proposta para readequar a regulamentação de gastos de parlamentares, segundo adiantou neste domingo o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP).
"Espero que em 2 semanas seja feito. Nós temos urgência para isso. Já demos vários passos. Não foram suficientes. Acho que será necessário dar um passo definitivo", disse ele a jornalistas, após participar de seminário com empresários.
Segundo Temer, a proposta está sendo discutida com a presidência do Senado e, se aprovada, poderá valer não apenas para deputados federais e senadores, mas também para as assembléias estaduais e câmaras de vereadores.
"Vamos elaborar proposta para tentar contribuir para que a Mesa da Câmara tome medidas modernizadoras, com repercussão não só na Câmara dos Deputados", disse o ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que, junto com outros dois deputados e com a Mesa Diretora da Câmara, está conduzindo a elaboração do estudo
"O objetivo é sanar o problema do mau uso das verbas indenizatórias", disse Chinaglia. "Não se trata só das passagens, mas do conjunto daquilo que é pago pela Câmara e pelo Senado Federal", acrescentou.

Retaliação por ataque

Paquistão mata 20 militantes após atentado PARACHINAR, Paquistão (Reuters) - Um ataque com aviões paquistaneses e helicópteros matou 20 militantes, disseram moradores e uma autoridade militar nesta segunda-feira, em uma ação contra um comandante do Taliban que assumiu responsabilidade por um atentado a bomba na semana passada.

O Império do Sol

Morre o escritor J.G. Ballard, autor de 'O Império do Sol'

O escritor britânico J.G. Ballard morreu na manhã deste domingo, aos 78 anos, após "ter passado muitos anos doente", segundo sua empresária, Margaret Hanbury.

Filho de um executivo britânico, James Graham Ballard nasceu em Xangai, na China, e cresceu na comunidade de expatriados da cidade.
Durante a Segunda Guerra Mundial, quando era adolescente, ele passou três anos em um acampamento administrado pelo Exército japonês.
A experiência foi relatada no livro semi-autobiográfico O Império do Sol, transformado em um filme dirigido por Steven Spielberg, e que tornou Ballard conhecido mundialmente.
Entre seus 15 romances e dezenas de contos, está o polêmico Crash: Estranhos Prazeres, que conta a história de um grupo de pessoas com fascinação sexual por acidentes de carro, e que foi levado às telas pelo também controverso diretor David Cronenberg em 1996.
Seu último romance foi O Reino do Amanhã, de 2006.

O grande risco

Florestas correm risco de parar de 'filtrar' carbono, diz estudo

O papel das florestas de atuar como filtros gigantes de carbono está sob o risco de "ser totalmente perdido", segundo um relatório compilado por alguns dos maiores cientistas florestais do mundo.
O documento compilado por 35 profissionais da União Internacional das Organizações de Pesquisas Florestais (IUFRO, na sigla em inglês) afirma que as florestas estão sob um crescente estresse como resultado das mudanças climáticas.
Ainda segundo o relatório, as florestas podem começar a liberar uma enorme quantidade de carbono na atmosfera se as temperaturas do planeta subirem 2,5ºC acima dos chamados níveis pré-industriais.
As descobertas serão apresentadas no Fórum da ONU sobre Florestas, que começa nesta segunda-feira, em Nova York, e estão sendo descritas como sendo a primeira avaliação mundial da capacidade das florestas se adaptarem às mudanças climáticas.
Seca e pobreza
"Normalmente, pensamos nas florestas como 'freios' do aquecimento global", disse à BBC Risto Seppala, do Instituto de Pesquisa Florestal da Finlândia e presidente do painel de especialistas.
"Mas nas próximas décadas, os danos provocados pelas mudanças climáticas podem fazer com que as florestas comecem a liberar uma enorme quantidade de carbono, criando uma situação em que elas contribuirão mais para o aceleramento do aquecimento do que ajudarão a reduzi-lo."
Os cientistas esperam que o relatório ajude a informar os profissionais envolvidos nas negociações sobre as políticas ambientais.
O documento destaca ainda outros fatos novos, como a projeção de que as secas devem se tornar mais intensas e frequentes nas florestas subtropicais e temperadas do sul, e de que as plantações comerciais de madeira podem se tornar inviáveis em algumas áreas.
O relatório diz também que as mudanças climáticas podem "aprofundar a pobreza, deteriorar a saúde pública e aumentar os conflitos sociais" entre as comunidades da África que dependem das florestas.
Andreas Fischlin, do Instituto Federakl Suíço de Tecnologia, e co-autor do estudo, ressalta, no entanto, que mesmo que se implemente todas as medidas necessárias, as mudanças climáticas podem ainda neste século exceder a capacidade adaptativa de muitas florestas".
"A única maneira de assegurar que as florestas não sofram danos sem precedentes é conseguir fazer uma enorme redução nas emissões dos gases de efeito estufa", concluiu.

Belas imagens


Imagens de satélite mostram belezas da Terra vistas do espaço
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apresenta em Paris a exposição Vista excepcional - O Espaço observa nosso patrimônio mundial, com 30 fotos em grande formato (2m x 1m) tiradas por satélites que mostram belezas culturais e naturais do planeta.
As imagens foram feitas pelo Centro Aeroespacial da Alemanha a uma altura de 700 quilômetros acima da superfície da terra.
Entre os sítios culturais fotografados, estão as pirâmides de Gizé, no Egito, a antiga cidade de Dubrovnik, na Croácia, Jerusalém e seus muros, além da cidade de Teotihuacan, no México, e Machu Picchu no Peru.
A exposição apresenta várias áreas naturais conhecidas por sua extrema beleza, como o Parque Nacional de Vulcões no Havaí, onde estão dois dos vulcões mais ativos do mundo - o Mauna Loa e o Kilauea - o Parque Nacional do Quênia e o de Kilimanjaro, na Tanzânia, ou ainda a região da Lapônia, no Círculo Polar Ártico, e fiordes da Groenlândia.
A área do Parque Nacional do Jaú, na Amazônia Central, no interior do Estado do Amazonas, uma das regiões mais ricas em biodiversidade do mundo, também foi fotografada pelo Centro Aeroespacial da Alemanha.
Patrimônio
Todos os locais fotografados fazem parte da lista do patrimônio mundial da Unesco.
Segundo a organização, com sede em Paris, o objetivo da exposição é mostrar a importância da utilização da tecnologia espacial de ponta na observação e proteção do patrimônio mundial da humanidade.
A tecnologia conhecida por "teledetecção" (remote sensing, em inglês) é usada para observar a Terra a partir do espaço e permite coletar dados com grande precisão e observar o que ocorre nos sítios protegidos pelo patrimônio mundial da Unesco.
Segundo a organização, o uso das tecnologias espaciais também permite antecipar ameaças às áreas protegidas como fenômenos naturais ou decorrentes da atividade humana (como urbanização crescente e exploração agrícola).
O Centro Aeroespacial alemão colocou sua tecnologia à disposição de países emergentes para ajudá-los a proteger seu patrimônio histórico e natural.
A Unesco utiliza atualmente o satélite por radar alemão TerraSAR-X, que usa tecnologia alemã de ponta para a captação de imagens geo-espaciais.
A exposição, apresentada na sede da Unesco, em Paris, vai até o dia 7 de maio.


Muito papo e pouca conversa...

Mesmo sem consenso, Lula se diz 'realizado' com cúpula

Os 34 chefes de Estado presentes na Cúpula das Américas, em Port of Spain, em Trinidad e Tobado falharam em chegar a um consenso sobre o texto da declaração final no encerramento do evento, neste domingo.

Países como Venezuela, Bolívia e até mesmo o Brasil fizeram "ressalvas" ao documento, que acabou sendo assinado simbolicamente apenas pelo primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.
O governo brasileiro, por exemplo, discordou da sugestão contida no documento de que os países voltassem a se reunir em 2010 para discutir a atual crise econômica mundial - o que seria tarde demais, segundo ele.
Já a Venezuela se negou a aprovar o documento por não mencionar a ausência de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O documento acabou perdendo relevância nesta edição da Cúpula, marcada pela primeira visita do presidente americano, Barack Obama, à região, e pela possibilidade de um "novo diálogo" com a América Latina.
Surpresa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, ao final do evento, que a Cúpula teve "resultados surpreendentes" e que sai de Trinidad e Tobago "realizado".
"Vamos ser francos: todos esperavam que Chávez e Obama fossem se atacar", disse o presidente. "E tivemos o Chávez dizendo que quer ser amigo dos Estados Unidos".
"Tivemos divergências, mas o dado concreto é que a guerra não aconteceu", acrescentou.
Na avaliação do presidente, "o que poderia acontecer de melhor foi o clima político dessa reunião".
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que essa "nova fase" só está sendo possível porque a América Latina "também mudou".
"Não é só por causa do Obama. É por causa das mudanças na América Latina também. A criação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) é um exemplo de fortalecimento", disse o chanceler.
Elogios
Durante os três dias de Cúpula, os chefes de Estado apresentaram uma série de queixas sobre a administração americana para a América Latina, mas sempre tomando cuidado em não culpar o presidente Obama.
O resultado foram discursos de "morde e assopra": ao mesmo tempo em que os chefes de Estado criticavam a postura da diplomacia americana, logo depois tratavam de elogiar Obama.
A descrição mais ouvida durante a Cúpula foi a de que Obama "soube ouvir". O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o líder americano se mostrou "interessado" nas palavras dos outros chefes de Estado.
"Acho que o presidente Obama tomou um banho de América Latina nessa cúpula", disse Lula.
O presidente brasileiro minimizou as críticas que Venezuela e Bolívia fizeram ao G20, grupo de países ricos e emergentes que está liderando as discussões sobre a crise.
"Era mais difícil quando todos eram obrigados a dizer a mesma coisa. Era mais complicado quando você não tinha nem a possibilidade de se reunir e dizer o que pensa", disse o presidente brasileiro.
Lula repetiu ainda a avaliação do presidente Obama, feita na sexta-feira, de que é comum os países mais pobres culparem os mais ricos por seus problemas.
"Eu sei como muitos países da América Latina enxergam o Brasil. Sei como o (presidente do Paraguai Fernando) Lugo, o Evo (Morales, presidente da Bolívia) nos enxergam. O Brasil é grande, então as pessoas estão sempre achando que o Brasil é culpado por alguma coisa que acontece com eles", disse o presidente.

Boicote

Ban Ki-moon abre reunião anti-racismo e se diz 'decepcionado' com boicote

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse na abertura de uma conferência sobre racismo em Genebra, na Suíça, estar "profundamente decepcionado" com o boicote promovido por vários países ao encontro, visto por alguns como um palco para a promoção de anti-semitismo.


O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que negou publicamente a existência do Holocausto, deverá fazer um discurso no encontro, que dá prosseguimento à primeira conferência da ONU em Durban, há oito anos, que terminou em desavenças.
Na ocasião, vários países tentaram, sem sucesso, que a conferência equiparasse sionismo a racismo. Várias ONGs também foram acusadas de fazer declarações anti-semitas.
Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Canadá, Israel, Itália, Holanda e Nova Zelândia estão boicotando o encontro. França e Grã-Bretanha participam, mas a Grã-Bretanha não enviou nenhum representante de alto escalão.
'Chocada'
Antes da conferência, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, se disse "chocada e decepcionada" com os boicotes.
"Alguns Estados permitiram que uma ou duas questões dominassem sua abordagem do assunto, permitindo que eles tenham mais valor do que as preocupações de vários grupos de pessoas que sofrem racismo e formas parecidas de intolerância", teria dito ela, segundo a agência de notícias AFP.
Neste ano, os representantes de muitos países ocidentais se mostraram incomodados pelo fato de a conferência abrir espaço para um discurso de Ahmadinejad, o único líder de porte a aceitar o convite para o fórum.
Sua presença na conferência sobre racismo causou indignação em Israel e nervosismo dentro da própria ONU, segundo a correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes.
Se Ahmadinejad usar a conferência para repetir os ataques a Israel, ou mesmo para negar o Holocausto, poderá causar sérios danos ao evento, que a ONU esperava vir a ser um exemplo de união internacional contra a discriminação, afirma Foulkes.
O papa Bento 16 também se pronunciou a favor da conferência, afirmando que é uma oportunidade para lutar contra a discriminação e a intolerância.
"Pedimos ação firme e consistente, em nível nacional e internacional, para evitar e eliminar qualquer forma de discriminação e intolerância", disse o pontífice.
O rascunho da declaração final, que vem causando intenso debate, foi diluído para remover todas as referências a Israel e o Oriente Médio.
Mas, a pedido dos países do Oriente Médio, o documento ainda contém uma cláusula sobre a incitação de ódio religioso, que muitos países ocidentais veem como uma restrição à liberdade de expressão.
O presidente americano, Barack Obama, afirmou que a linguagem anti-Israel no rascunho final, que segundo ele é "hipócrita e contraproducente" em vários trechos, foi a gota d'água que levou seu governo a boicotar o encontro.

Sequestro frustrado

Homem se rende após após sequestrar avião na Jamaica

Sequestrador de Boeing canadense, descrito como 'portador de doente mental', exigia ser levado a Cuba


Agências internacionais


Homem armado sequestra Boeing na Jamaica KINGSTON - Um homem armado e descrito como portador de "problemas mentais" se rendeu nesta segunda-feira, 20, após sequestrar um avião canadense na pista de um aeroporto internacional perto do balneário da Baía de Montego, na noite de domingo. O "jovem com problemas mentais exigia ser levado a Cuba", disse o ministro da Informação jamaicano, Daryl Vaz

À princípio, ele soltou os 174 passageiros, mas mantinha seis tripulantes reféns no Boeing 737. Ninguém ficou ferido, de acordo com as autoridades. Os policiais e soldados jamaicanos rodearam o avião, enquanto seguiam as negociações com o sequestrador, informou a porta-voz da polícia Camille Tracey.

Na noite de domingo, o homem armado ultrapassou os cordões de isolamento e entrou no avião, segundo um comunicado emitido pela polícia da Jamaica. O avião havia chegado de Halifax, na Nova Escócia, e tinha programada uma escala em Santa Clara, Cuba, antes de retornar ao Canadá. Christian Gosselin, um passageiro do voo, disse a seu pai que o sequestrador pedia dinheiro a todos os ocupantes, informou a rede CNN.

O pai do jovem armado estava contribuindo com as negociações, segundo o ministro. Vaz acrescentou que o homem é jamaicano e tem cerca de 20 anos. Não deu mais detalhes sobre o estado mental dele. O primeiro-ministro da Jamaica, Bruce Golding, falou com todos os passageiros após eles serem interrogados pela polícia. Já primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, na Jamaica para uma visita de um dia, foi acordado por seus auxiliares e estava a par das negociações, segundo a agência de notícias Canadian Press.


"Se a luta não for de todos, não é de ninguém"

Em 25 anos de existência, o Movimento dos Sem-Terra (MST) raras vezes teve seus métodos ilegais reprimidos pela força das leis. A ofensiva mais contundente vinha sendo realizada no Rio Grande do Sul, berço do movimento, pelo promotor de Justiça Gilberto Thums. Filho de pequenos agricultores e ex-delegado de polícia, Thums obteve oito vitórias contra o MST no último ano. Conseguiu, com ações na Justiça, impedir marchas para invadir áreas predeterminadas; fichou criminalmente invasores; proibiu integrantes do grupo de se aproximar de glebas produtivas. Em sua batalha mais recente, convenceu o governo gaúcho a colocar na clandestinidade as escolas itinerantes do MST – versão sem-terra das escolas muçulmanas, conhecidas como madraçais, que fabricam terroristas dispostos a dar a vida em nome do Islã. O fim da doutrinação revolucionária com dinheiro público produziu uma avalanche de protestos contra o promotor. Thums foi acusado de nazismo e demonizado por supostamente impedir o acesso de crianças à educação. Acuado, anunciou que está deixando o caso. "Cansei. Essa luta não pode ser apenas minha. Se ela não for de todos, não é de ninguém", diz Thums. Os ataques contra o promotor surgiram de todas as partes e seguiram os mais diversos métodos, da intimidação à ameaça. Em Brasília, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, órgão do governo aparelhado pelo MST, enviou uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público acusando a instituição de afrontar direitos fundamentais das crianças ao tentar extinguir as escolas do MST. Há duas semanas, ao participar de uma audiência pública, o promotor foi recebido por 200 crianças cantando o hino do movimento e com cópia do Estatuto da Criança e do Adolescente nas mãos. A claque o deixou constrangido. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), braço da Igreja Católica que dá sustentação ao MST, atacou em outra frente. Pela internet, lançou uma campanha mundial que soterrou o correio eletrônico do promotor. Thums, descendente de austríacos, foi comparado a Adolf Hitler, para citar apenas as mensagens menos hostis. A ofensiva também se deu em outras esferas. Nas últimas semanas, segundo o promotor, cinco mensagens de voz com gravações de suas conversas telefônicas lhe foram enviadas, num indício claro de que ele está sendo monitorado sabe-se lá por quem. Além disso, ele diz ter sido vítima de um atentado, quando um carro tentou atropelá-lo na rua. Não existem evidências materiais de que o MST esteja no leme do atentado ou da interceptação telefônica, mas, se a suspeita do promotor estiver correta, isso não seria nenhuma novidade. Documentos internos do movimento apreendidos nos pampas revelam que ações criminosas há muito integram a cartilha dos sem-terra. Seus manuais ensinam a saquear fazendas, destruir provas que os incriminem, fabricar bombas e fraudar os cadastros do governo. As escolas itinerantes, colocadas na clandestinidade pela ação do promotor, são o laboratório no qual o movimento configura suas crianças para a guerra. Ninguém sabe seu número exato. No Rio Grande do Sul, onde desde fevereiro passado elas deixaram de integrar a rede pública, eram doze, com cerca de 400 alunos entre 7 e 14 anos. Há cinco anos, VEJA visitou duas delas, ambas no Rio Grande do Sul. A reportagem constatou que os alunos celebram a revolução chinesa, a morte de Che Guevara e o nascimento de Karl Marx. O Sete de Setembro, Dia da Independência, para eles é o "Dia dos Excluídos". Nas aulas de teatro, carregando bandeiras do MST, crianças entoam gritos de guerra e conclamam para a revolução. A defesa de escolas públicas para filhos de sem-terra parece paradoxal quando se leva em conta a razão de ser, pelo menos teórica, do MST. O movimento que diz defender a inclusão econômica e social dos desvalidos exige que a sociedade continue financiando escolas que, em vez de incluir, acabam por excluir e segregar seus filhos. "Eles são diferentes mesmo. Muitos não têm sapatos nem como chegar a uma escola tradicional. Esse promotor é um grande capitalista, um baita tradicionalista. Ele persegue o MST", diz o padre Rudimar Dal’Asta, coordenador da CPT no Rio Grande do Sul. O padre alega que o caráter nômade dos sem-terra impede suas crianças de frequentar uma escola pública comum. Nada disso, porém, justifica a doutrinação guerrilheira promovida nos centros de treinamento itinerantes do MST, muito menos o fato de ela ser mantida com o dinheiro dos contribuintes. Com a deserção de Gilberto Thums, outros promotores deverão ser escalados para continuar atuando nos tribunais contra ilegalidades e abusos promovidos pelo movimento. O MST também promete continuar doutrinando suas crianças com ou sem os recursos do governo – embora reconheça que é bem mais fácil fazer a revolução com uma ajudazinha dos cofres oficiais. Um dos empecilhos, o promotor, o movimento já conseguiu abater.

Por que somos assim...

A escolha é nossa

Por: Miriam Leitão O GLOBO

A América Latina gosta de perder décadas e oportunidades. Aceita caudilhos, tiranos e tiranetes com razoável regularidade. Tolera que seus governantes confirmem as caricaturas feitas sobre a região. Usa, para se dividir, o que seria fator de união: a Amazônia, os rios comuns, a energia. A América Latina gosta de terceirizar suas culpas, achando que suas mazelas são imposições externas.
Em 2005, a Cúpula das Américas, em Mar del Plata, foi um fiasco. Não se discutiu nada sério e o esporte favorito era atacar George Bush, o detestável. O anfitrião culpou-o numa reunião bilateral por todas as misérias latino-americanas. O excêntrico Hugo Chávez comandou uma passeata contra o governo americano, organizada com o apoio implícito do governo argentino.
Uma nova liderança americana com todas as virtudes de Barack Obama abre a chance de uma relação amadurecida no hemisfério. A declaração de ontem da secretária de Estado, Hillary Clinton, é animadora. Um passo pequeno, mas um reconhecimento de que a política americana sobre Cuba fracassou. A resposta de Raúl Castro, de que está disposto a conversar sobre tudo, é outro sinal interessante. O diálogo isola ainda mais a patética Alba, que se reuniu para dar um suposto apoio a Raúl Castro, que, pelo visto, é mais esperto que todos eles. Na tal reunião, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu para ser expulso da OEA, e se definiu como membro da inexistente corrente "marxista-leninista-comunista-socialista", e Chávez avisou que não assinaria o comunicado conjunto negociado pelos governos. Nada sério.
A América Latina tem muitas mazelas: pobreza, desigualdade, exclusão, racismo. O problema é que, ao lutar contra elas, os líderes preferem culpar alguém ou algo externo. Dependendo da época, muda o culpado. Pode ser o colonizador, os Estados Unidos, o imperialismo, as multinacionais, a CIA, a dívida externa, a trilateral, o capitalismo, o FMI, o neoliberalismo. O inferno são os outros, e nunca as escolhas da região, os governantes eleitos ou tolerados, a indulgência com os erros, a corrupção.
Os Estados Unidos, por sua vez, ficaram prisioneiros de uma armadilha enferrujada. É espantoso que, 20 anos depois da queda do muro de Berlim, a potência americana ainda veja algum sentido no embargo a Cuba. O passo de Barack Obama, permitindo viagens, colaboração nas telecomunicações e remessas ao país, é insuficiente. Obama teve uma atitude madura e moderna em relação ao mundo muçulmano, mas ainda não encontrou o jeito de revogar essa velharia da Guerra Fria. O embargo foi decretada para sufocar o regime, sustentado pela União Soviética, que já acabou há quase duas décadas. Pelo menos, agora o governo americano já reconhece que fracassou.
O teste de resistência derrotou os EUA. Mas o tempo os derrotou a todos. Fidel Castro lembra o personagem literário do Outono do Patriarca, com aparições em que parece o fantasma de si mesmo. A ilha revolucionária, que incendiou a esperança dos jovens latinos nos anos 60 e 70, virou apenas uma capitania hereditária.
Cuba, com seu território menor que a Pensilvânia, não pode permanecer eternamente ditando o tom da relação entre os países do continente. Donna Hrinak, ex-embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, resumiu esse sentimento.
- Trabalhei 30 anos no hemisfério. Nós perdemos tempo, dinheiro e energia demais discutindo Cuba. Morei na Polônia comunista, e nós a inundamos de informação, visitantes e intercâmbio cultural, e isso mudou o regime.
Cuba é apenas uma ilha com um governo autoritário, que lembra as ditaduras longevas da região, como foram as de Stroessner ou de Trujillo, e que tem um indiscutível mérito: atingiu conquistas sociais inéditas. Evidentemente, ao contrário do que pensam os defensores do esclerosado regime castrista, isso não o absolve dos crimes contra a vida e a liberdade. O embargo isolou e sacrificou seu povo. É inaceitável.
Mas é apenas um detalhe. O relevante é o atraso da região, que tem muitas oportunidades de construir um futuro mais sólido e as despreza. Veja o que aconteceu com a Bolívia. Nos últimos anos, o preço do gás e a demanda pelo produto boliviano estavam em alta. Em vez de aproveitar e atrair investimentos, Evo Morales demoliu a confiança do consumidor brasileiro de que ele poderia ser um fornecedor confiável. Chávez desperdiçou o boom do petróleo com populismos e má administração. É um governante eleito construindo uma tirania. Na semana passada, Morales fez uma exótica greve de fome, para pressionar o Congresso. A Argentina, país que tem alto nível educacional, aceita a anomalia de ter uma presidente exercendo funções protocolares e um ex-presidente governando de fato o país. O Brasil é atacado por Bolívia, Equador e Paraguai, como se fosse um sub-Estados Unidos, cada vez que os governantes desses países estão disputando alguma eleição ou plebiscito. Depois, voltam a ser "muy" amigos.
Será boa para todos uma nova era de relacionamento maduro, moderno e pragmático, mas a salvação não virá de Washington, como nunca veio de Madri, Lisboa ou Londres. A região está por sua própria conta e vive das suas escolhas.

Cláudio Humberto

Destaques:

- Presidente Lula pode ter cometido crime eleitoral.

- Palácio do Planalto atribui denúncia de negociata com royalties a briga interna de poder na Agência Nacional do Petróleo.

- Mais da metade dos consumidores brasileiros estão com as contas em atraso.

- Secretários estaduais de Transportes pedem a volta da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos.

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