terça-feira, 21 de abril de 2009

Um olho na missa, outro na mulher

Lugo se diz à disposição da Justiça para esclarecer acusação de paternidade
O presidente do Paraguai, o ex-bispo católico Fernando Lugo, de 57 anos, afirmou nesta segunda-feira que está "à disposição da Justiça" para esclarecer a acusação de que teria sido pai de um menino que agora tem seis anos de idade.
"Que fique absolutamente claro que estamos dispostos a atuar sempre com o argumento da verdade e nos colocamos à disposição para todos os requerimentos da Justiça", disse Lugo em um discurso transmitido pela TV paraguaia.O presidente paraguaio afirmou ainda que manterá o assunto "no âmbito estritamente privado".Lugo pediu a seus advogados que entrem em contato com Benigna Leguizamón, de 27 anos, que o acusou de ser pai de um de seus quatro filhos.
Segundo ela, os dois se conheceram em 2001, quando ele era bispo da localidade de São Pedro. Leguizamón disse que a criança nasceu em setembro de 2002 e que Lugo a ajudou financeiramente no início, mas depois deixou de atender aos seus telefonemas.Ela deu prazo de 24 horas para que o presidente reconheça a paternidade da criança ou recorreria à Justiça.Na semana passada, Lugo reconheceu a paternidade de outra criança, um menino de dois anos.
DNA
De acordo com o site do jornal Ultima Hora, de Assunção, Lugo teria pedido a seus advogados que entrassem em contato com a mulher para que sejam tomadas as providências para que ele faça o exame de DNA - pedido por ela.O novo escândalo surgiu uma semana depois de Lugo ter reconhecido - sem exames de DNA - a paternidade de um menino de dois anos, filho da paraguaia Viviana Carrillo, de 26 anos e que teria 16 anos quando iniciou relacionamento com Lugo, então bispo de São Pedro.
A informação de que Lugo se submeterá ao exame de DNA foi dada pelo advogado da Presidência, Marcos Fariña, à imprensa local.Benigna Leguizamón tem recebido assessoria jurídica da Secretaria da Criança e do Adolescente do governo Lugo.
Críticas
O episódio gerou novas críticas ao presidente - desta vez, não só da oposição, mas também de alguns de seus assessores.
"Como ministras do Poder Executivo, esperamos que o presidente assuma, como fez na primeira vez, uma postura clara e que facilite o esclarecimento do caso, com firmeza e transparência. Que mostre que as mudanças (prometidas na campanha eleitoral) começam pelo presidente", disseram, em um comunicado, as ministras da Criança e do Adolescente, Liz Torres, e da Mulher, Gloria Rubín.
Ao mesmo tempo, a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Ana María Mendoza de Acha, disse que o presidente "já não tem autoridade moral" e que "muitos não teriam votado nele", se estes casos tivessem sido divulgados durante a campanha eleitoral.
Comício
Na noite desta segunda-feira, Lugo participou de comício que marcou o primeiro ano da sua vitória nas urnas.
De acordo com o jornal ABCColor, em sua edição online, e com a rádio Ñanduti, Lugo fez um balanço de sua gestão, destacando seus projetos de reforma agrária e combate à corrupção, entre outros.
Lugo, segundo a imprensa local, teria dito ainda que manterá as discussões pelos direitos do país na hidrelétrica binacional de Itaipu - uma de suas bandeiras de campanha.Também nesta segunda-feira, ele anunciou, como já era esperado, mudanças no seu ministério, substituindo os ministros da Justiça, Agricultura, Educação e Cultura e Indústria e Comércio.

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