quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vale a pena Ler de novo

Poemeu - A superstição é imortal

Millôr Fernandes

"Quando eu era bem meninoTinha fadas no jardim.No porão um monstro albino.E uma bruxa bem ruim.Cada lâmpada tinha um gênio.Que virava ano em milênioE, coisa bem mais perversa,Sapo em rei e vice-versa.Tinha Ciclope,Centauro,Autósito, Hidra e megera,Fênix, Grifo, Minotauro,Magia, pasmo e quimera.Mas aí surgiram no horizonteAlém de Custer e seus confederados.A tecnologia mastodonte.Com tecnologistas bem safados.Esses homens da ciência me provaram.Que duendes, bruxas e omacéfalos.Eram produtos imbecis de meu encéfalo.Nunca existiram e nunca existirão:uma decepção!Mas continuo inocente, acho.Ou burro, bobo, ou borracho.Pois toda noite eu vejo todo dia.Tudo que é estranho, raro, ou anomalia:Padres sibilas.Hidras estruturalistas.Ministros gorilas.Avis raras feministas.Políticos de duas cabeças.Unicórnios marxistas.Antropólogas travessas.Mactocerontes psicanalistas.Cisnes pretos arquitetosEconomistas sereias.Democratas por decreto.E beldades feias.Que invadem a minha caverna.E me matam de aflição.Saindo da lanternaDa televisão."
Releituras

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