quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fusão difícil...

Fiat dá ultimato para sindicatos da Chrysler aceitarem cortes

MILÃO (Reuters) - O presidente-executivo da Fiat, que enfrenta em duas semanas fim de prazo para acertar uma parceria com a Chrysler, alertou sindicatos da montadora norte-americana que vai mudar de idéia se os trabalhadores não aceitarem cortes de custos trabalhistas.
Em uma mensagem clara aos sindicatos de metalúrgicos dos Estados Unidos e do Canadá, Sergio Marchionne, afirmou nesta quarta-feira ao jornal Globe and Mail que um acordo para uma parceria tem apenas 50 por cento de chance de ser fechado por causa da falta de progresso nas negociações com os sindicalistas.
Os sindicatos do Canadá são especialmente resistentes aos termos da Fiat, afirmou o executivo.
"Estamos absolutamente preparados para desistir. Não há dúvida quanto a isso para mim", disse Marchionne em outra entrevista publicada no site do jornal Toronto.
Os sindicatos da Chrysler têm que concordar em reduzir os custos trabalhistas da empresa para ficarem nos níveis de unidades operadas por montadoras japonesas e alemãs nos Estados Unidos e Canadá.
Sob a última versão da aliança proposta, anunciada pela primeira vez em janeiro, a Fiat assumiria uma participação inicial de 20 por cento na Chrysler em troca por ceder acesso a tecnologia de carros pequenos e a mercados estrangeiros.
A Chrysler já foi alertada por Washington de que terá de pedir proteção contra falência se não completar um acordo com a Fiat, projetado para salvar a menor das três maiores fabricantes de veículos de Detroit.
A empresa tem cerca de 7 bilhões de dólares em dívidas detidas por credores que se recusam a eliminar a maior parte se não toda essa dívida.
Se o acordo for concluídao, a Chrysler poderá receber pelo menos 6 bilhões de dólares em financiamento adicional do governo norte-americano. A empresa já recebeu 4 bilhões.
Para a Fiat, um acordo dará à empresa acesso ao enorme mercado norte-americano e ajudará a companhia a ganhar escala que precisa para sobreviver à pior crise da indústria em décadas.
A Fiat levará à América do Norte o compacto popular Cinquecento já no início do próximo ano, enquanto a marca premium Alfa Romeo poderá produzir veículos no Canadá ou nos Estados Unidos, disse Marchionne, afirmando que fará tudo o que for preciso para salvar a montadora norte-americana.
(Por Gilles Castonguay)

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